3 lições que aprendi com Douglas Engelbart – o criador da mãe de todas as demonstrações de software

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Muito antes de Steve Jobs encantar a audiência com a apresentação das criações da Apple, um cientista da computação revolucionário chamado Douglas Engelbart realizou aquela que ficaria conhecida como a mãe de todas as demos.

Há mais de meio século – em 1968 – Engelbart transmitiu, de sua própria casa através de um modem caseiro, a primeira demonstração pública do uso do mouse e da videoconferência.

Você pode conferir algumas partes desse momento histórico no vídeo abaixo:

Durante aproximadamente 100 minutos, ele expôs ao mundo a computação pessoal e interativa. A demo apresentou um mouse que controlava um sistema de computador em rede.

Com esse equipamento, Engelbart demonstrou os conceitos de links de hipertexto, de edição de texto em tempo real, de múltiplas janelas em um mesmo navegador com controle de visualização flexível e de teleconferência de tela compartilhada.

Imagina que irado deve ter sido ver tudo isso surgir na sua frente ao mesmo tempo? Esse feito me trouxe três grandes lições, que aplico na minha carreira e que gostaria de compartilhar com vocês.

1) Você não precisa ser um milionário para fazer coisas incríveis

Com muito pouco recurso, Engelbart e sua equipe criaram, entre outras coisas: a interface gráfica para usuários, os computadores conectados em rede, os hiperlinks e também o mouse.

Além disso, ele também era parte do time que ajudou a desenvolver a ARPANet – antecessora da internet.

Isso me ensinou que, mais importante do que quantidade de recursos, é o que você é capaz de fazer com o que você já tem em mãos. Para fazer isso, sua habilidade de escrever códigos não é suficiente. É preciso agir rumo aos seus objetivos com criatividade, estratégia, capacidade de interação e articulação.

Em outras palavras, é preciso dominar o que está além da programação. Saber enxergar um problema e encontrar o caminho mais curto, barato e eficaz para resolvê-lo.

É isso que vai te permitir fazer uma limonada com a fruta que tiver.

2) Ninguém faz nada sozinho

Apesar de ter revolucionado o mundo da computação, Engelbart nunca se deixou levar pela fama e pela vaidade. Ele sempre fez questão de mostrar que era apenas parte de uma comunidade de grandes profissionais.

Em sua biografia – escrita por sua filha -, ele fez a seguinte declaração:

…muitas dessas inovações chegaram graças ao time, inclusive, eles tinham que explicá-las para que eu as entendesse. Eles merecem mais reconhecimento.

Essa é uma das lições que mais marcaram minha vida. Tudo que sou hoje devo à comunidade. Sem as interações e os amigos que fiz na minha jornada, nunca teria conseguido desenvolver minha autonomia.

Quando você se conecta com outras pessoas, amplia o número de caminhos possíveis. Mas, para isso funcionar, você tem que estar disposto a dar antes de receber.

Quem só quer se beneficiar da comunidade e não quer contribuir acaba se tornando um parasita. E isso não te leva a lugar algum.

Para ser realmente livre e dono do seu destino, é preciso preservar e valorizar a liberdade e as realizações dos outros. E não sou eu quem estou dizendo. Esse ensinamento é de um dos pais da computação moderna.

3) Saber comunicar seu trabalho faz toda diferença

Essa é a lição mais óbvia de todas. Já imaginou se, em vez de uma demo feita por videoconferência, Engelbart decidisse divulgar as criações de seu time por meio de um relatório de 500 páginas?

E se, em vez de demonstrar na prática como as invenções funcionam na vida real, ele escolhesse fazer um monte de slides para explicar tecnicamente como cada coisa funcionava?

As chances de chamar a atenção das pessoas para o valor de tudo aquilo seriam bem menores. E esse é um erro que vejo muito no mercado de TI.

Muitos devs querem usar linguagem técnica para convencer a galera de negócio a adotar medidas para o projeto. Isso é um baita tiro no pé. É uma conversa de surdos. Um lado não entende o outro. O resultado é um mar de retrabalho e demandas sem pé nem cabeça.

Em sua demo, para explicar como funcionavam suas criações, ele usou uma lista de compras. A partir dela, ele conseguiu tangibilizar uma série de conceitos que, para o público, eram bem complexos.

Isso demonstra a necessidade de encontrar um ponto em comum entre você e seu interlocutor. É daí que você vai se fazer entender e vai conseguir construir softwares que realmente fazem sentido.

Programe com propósito e desenvolva sua autonomia

Os ensinamentos de Engelbart nos mostram como é importante olhar a floresta, e não só a árvore. Muitas vezes, ficamos tão focados somente no código que estamos criando, que descuidamos de outros fatores que impactam nosso trabalho e sugam nossa qualidade de vida.

Para quebrar esse círculo vicioso, é preciso se conectar com as pessoas, suas necessidades e suas dores. Assim, desenvolvendo as suas habilidades como programador combinadas com a compreensão da coisa certa a se fazer para resolver um problema é que você poderá criar uma trajetória que te leve até a sua própria definição de sucesso.

É disso que falo no Welcome to the Django.

No curso, reúno toda minha experiência com desenvolvimento de software e junto isso com uma série aprendizados muito além da programação que tive durante a minha caminhada profissional e também lições de grandes gênios, como Engelbart e outros.

Se você se conectou com os ensinamentos deste texto e com a filosofia do WTTD, te convido pra continuar nos acompanhando! Para isso, basta deixar seu e-mail na lista aqui embaixo.


Imagem postada originalmente em South China Morning Post

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