O WTTD é tudo que eu ensinaria sobre propósito de vida para mim mesmo se pudesse voltar no tempo

O WTTD é tudo que eu ensinaria sobre propósito de vida para mim mesmo se pudesse voltar no tempo

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Minha caminhada de programador começou com uma grande curiosidade e uma paixão por descobrir coisas novas. No decorrer da carreira, no entanto, ambientes e práticas de trabalho tóxicas me trouxeram infelicidade e frustração. Por conta disso, sacrifiquei minha qualidade de vida e me envolvi em um acidente que quase arruinou minha vida.

Esses percalços, porém, me ajudaram buscar uma nova forma de viver, que foca mais na minha autonomia e na minha liberdade. Tudo isso possibilitado por uma comunidade de amigos que me ensinaram a ver o que existe além da programação.

Durante minha trajetória, percebi que mais importante do que a tecnologia que eu uso é a pessoa que eu sou. Hoje quero compartilhar o que aprendi com tudo que passei até chegar onde estou.

#1 Janela para o mundo: o começo de tudo

Comecei a programar com mais ou menos 9 anos. Eu adorava vídeo game, adorava atari. Adorava endure. Quando vi um computador, eu associei com videogame e quis entender como essa coisa funcionava por dentro.

Sempre fui uma criança introspectiva. O meu irmão era muito de brincar em grupo e a minha parte social ia muito nesse fluxo. A minha família é toda de atletas. E eu sempre fui inepto. O que sabia era ler. Sempre fui muito curioso. Via Discovery Chanel como se fosse desenho animado. Sempre gostei de analisar como as coisas acontecem e como funcionam. E foi com esse espírito que comecei a programar.

Eu fazia isso de forma muito livre. Não tinha pretensão de desenvolver um sistema. Eu fazia algo e, quando aprendia, ia para outra coisa. O computador me dava um universo infinito de possibilidades.

Como eu era muito quieto e me sentia meio deslocado, o computador para mim não era só uma tela, ele era uma janela para o mundo de curiosidades que não tinha fim.

Nos meus primeiros computadores, tinham joguinhos em Basic. Eu ficava o dia inteiro tentando mudar esses programinhas, mexer e ver como que era, mas eu não tinha muita informação. Não tinha ninguém para me orientar.

As coisas pareciam meio místicas. Até que chegou internet. A partir de aí, eu tinha acesso às pessoas que sabiam mais do que eu. Eu tinha acesso às informações. Essa cultura de compartilhamento foi me cativando. Ficava pensando no que fazia aquelas pessoas experientes quererem compartilhar o que sabiam.  

Esse encanto com a programação, porém, seria abalado com a minha entrada no mercado de trabalho.

#2 Um acidente, três carros e um processo

Logo nos meus primeiros projetos, percebi que a dinâmica de trabalhar com programação profissionalmente era diferente da navegação que eu fazia. Percebi que acabava perdendo a magia da curiosidade. Os projetos tinham problemas que não tinham nada a ver com tecnologia.

Eu lembro que, quando comecei a trabalhar, percebia que as coisas sempre atrasavam. E as pessoas achavam que aquilo era normal. Diziam que o mercado era isso aí, que era assim que funcionava.

Daí, pensei: será que isso mesmo? Aquilo destoava muito da minha memória afetiva de infância. E quanto mais pressão tinha, mais frustração rolava. Até o dia em que sofri um acidente. Depois de passar oito dias programando virado, eu dormi no volante e bati em três carros na ponte Rio-Niterói. Foi uma cagada. Parou a cidade. Perda total nos carros. Fui processado.

O pior de tudo é que foi um esforço inútil. Tudo o que a equipe tinha feito naquele sprint de oito dias durante o feriado de Carnaval foi deixado de lado. Isso foi foda. Ali eu surtei. Falei pro cliente: “você tá dizendo que eu podia ter morrido para fazer um negócio que ninguém nunca vai usar?”.

Esse acontecimento foi um marco que me fez rever vários aspectos da minha vida e da minha carreira como programador.

#3 Saindo do fundo do poço: o despertar para autonomia

Depois daquela tragédia, eu decidi que aquilo nunca mais ia acontecer na minha vida. Dito e feito! Fiz uma ruptura, que gerou várias questões emocionais. Eu senti uma tristeza absurda, como se uma certeza que eu tinha na minha vida (a de que eu queria trabalhar com programação) tivesse virado dúvida.

Eu lembro de ficar uns três meses trancado no quarto sem querer fazer nada. Mas minha família me ajudou a erguer a cabeça e continuar.

Então, decidi olhar pra frente e recomeçar. Mas, nesse processo, passei por várias fases. Não queria aceitar os projetos que vinham. Até que achei um trabalho maneiro com um amigo. E foi muito legal, porque eu tinha que ajudar a empresa a se organizar.

O negócio não tava andando. Então, eu precisei fazer não só a parte técnica, mas toda a parada que tava no entorno. Isso me deu uma sensibilidade para o que está além da programação.

Mas isso gerou uma certa frustração também, porque, conforme eu ia subindo no nível de abstração (saindo só do código e tendo que lidar com o negócio e as contas da empresa e as necessidades dos clientes), eu – que não queria criar de jeito nenhum um processo a toque de caixa – acabei me vendo reproduzindo esse sistema para as pessoas que tavam trabalhando comigo.

Eu não sofria aquilo, porque não estava diretamente no front programando, mas eu infligia aquilo nas pessoas. E aí eu percebi que isso era uma incoerência. Então, criei o blog e comecei a perguntar: “será que só eu acho que o mercado de tecnologia tá um lixo e que a forma que a gente faz software tá errada?”.

A partir daí, surgiram várias pessoas com essa mesma inquietação. Comecei a me reunir e a trocar ideia com essas pessoas e isso despertou esse sentimento que eu tenho com a comunidade.

O despertar pra autonomia surgiu como um contraste. Eu me sentia muito desconfortável como líder de projeto, como gerente, nessa estrutura de comando e controle dentro da empresa. Ao mesmo tempo, eu tinha uma vida paralela em comunidade, em que não tinha hierarquia fixa – as coisas eram mais horizontalizadas, muito ligadas à reputação, algo mais meritocrático.

Lá eu interagia com as pessoas e aprendia muito, fazia muitas amizades, participava de projetos open source. Eu vivia dois mundos. O mundo que me sustentava era duro, de comando e controle e com pouco espaço de manobra. O outro mundo era mais fluido, mais ligado ao propósito, mais eficiente e mais eficaz.

Essa vida dupla criou uma exigência que me motivou a unificar a minha jornada para viver de forma íntegra. O meu trabalho não pode ser diferente do que eu acredito na minha vida fora dele. Mas não sabia como juntar isso.

#4 Autonomia e liberdade: recuperando o controle sobre a vida

Percebi que o primeiro passo para mudar minha vida seria organização e grana. Depois que arrumei a bagunça e enxuguei meus custos, isso começou a reduzir pressões. Eu enxergo muito as coisas na forma de incentivos, tendências e pressões. Quando você tá sem grana, sua pressão é de se dedicar mais ao trabalho. Quando você tá mais tranquilo e sabe que vai arrumar algo fora dali, isso tem um reflexo inclusive emocional.

Com isso, comecei a conseguir falar “não”. Eu fui me melhorando e conseguindo melhorar as coisas. Foi aí que decidi dar o salto mais importante e ter total domínio sobre o meu trabalho. Decidi empreender na vera mesmo.

Eu tinha uma premissa importante. Na minha empresa, eu tinha que reproduzir a dinâmica do open source. Fui pro home office. Eu fechava os projetos, mas deixava os números abertos para todos. Eu perguntava para galera que ia implementar o projeto o que eles queriam fazer e isso me guiava na formatação da oferta.

Isso foi me levando a uma tendência de ter mais responsabilidade sobre todos os aspectos da minha vida. E aí comecei a construir melhor o conceito de autonomia. Percebi que é a forma como você configura as relações da sua vida (com pessoas, com empresas, com instituições, com objetos, com recursos) vai influenciar seu grau de autonomia.

#5 Gerar com e para a comunidade: Python e Django como ponto de encontro

A programação na minha vida sempre teve a ver com os amigos – pessoas que sabiam mais do que eu e que me complementavam. E foi por um deles que conheci o Python. Ele me fascinou por uma questão estética, de qualidade de código. É algo desenvolvido pelos próprios programadores que usam a linguagem.

Então, não tem uma empresa com uma estratégia comercial por trás. O que tem é: vamos fazer uma coisa do caralho pra gente usar. Isso coincide muito com meu apreço pela liberdade e pela interação com todo o ecossistema.

Uma coisa importante – que aprendi com minha esposa, que é socióloga e pedagoga – é que o importante é a relação entre as pessoas. Então, a comunidade não é um grupo. Ela é uma rede de pessoas que decidem conviver ao longo do tempo. Então, com isso, eu baixei as bandeiras. A minha comunidade nunca tinha só viés tecnológico. O importante eram as pessoas e como a galera se ajudava para todo mundo oferecer o melhor de cada um.

WTTD: o grande catalizador

O WTTD reúne tudo que eu acho que foi fundamental na minha vida profissional para me levar pra onde eu queria ir. Ele tem toda a pegada de comunidade, de rede, com foco em pessoas e não em tecnologia. É uma ferramenta para libertar a capacidade das pessoas, para que elas possam fazer mais. É um processo de expandir a liberdade e a autonomia de todos.

O curso é a porta de entrada para o ambiente em rede de pessoas que percebem o que existe além da programação, trazem isso para sua vida, interagem e se ajudam para todo mundo ser melhor para construir a vida que desejam viver – de acordo com seus talentos, suas questões, suas vontades.

As pessoas não estão aqui para aprender Python e Django, mas sim para, por meio dessas linguagens, criar um canal comum para desenvolver o que está além da programação e para expandir a potência que possuem para assumir a responsabilidade de sua vida e entregar mais valor para a sociedade.

O WTTD é tudo o que o Henrique criança, que programava por amor, queria saber. Tudo que eu queira voltar no tempo para ensinar pra mim mesmo para poder fazer mais.

Se você se identificou com a minha jornada, te convido a fazer parte desta comunidade para que possamos continuar trilhando esse caminho em rede.

Quer conhecer melhor o WTTD? Assista o vídeo abaixo:

Faça parte desta jornada!

Garanta a sua vaga na última edição de 2018 do Welcome to the Django!

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