05 coisas que ninguém fala sobre morar e trabalhar fora do Brasil

Mas vejam só! O cara ficou seis meses ou até mais se preparando, acompanhando os materiais que publiquei sobre os macetes da vida de gringo, guardando dinheiro, pesquisando e trilhando todo o caminho até chegar lá. E chegou. Está na Gringolândia!  

Conseguiu visto, casa para morar e um trampo formal. E o que vem agora? Os meus parabéns, claro! E a corrida para o abraço, camarada. Afinal de contas, chegar aí não foi moleza e só você sabe os perrengues que já passou.  

Mas te digo que permanecer aí também não será moleza. Vai requerer de você jogo de cintura e saber lidar com as diferenças, porque brasileiro é um povo sarrista, festeiro, gosta de contato, de mostrar serviço e muitas dessas coisas podem pegar mal em terras estrangeiras se não tiver moderação.

Por isso, se você já está fazendo sua vida na gringa ou pretende começá-la, aqui vão umas boas dicas de quem já bateu cabeça por aí a fora. Coisas que ninguém fala e que você não encontra em nenhum Manual do Estrangeiro.

Inclusive, na hacktalk “Como descolar o seu emprego de programador na Gringolândia” você vai encontrar uma galera que tem muito que contar, também. Vale a pena assistir se você quer trabalhar fora do Brasil!

#1 Saiba que você não está no Brasil

Essa é a primeira dica de todas, que apesar de óbvia, tem que ser dita. Muitos brasileiros vão para outro país e querem viver e fazer coisas por lá como se estivessem por aqui. Cara, isso dá merda.

Aqui, a gente vive numa verdadeira zona. É festa toda semana, churrasco na laje, som alto, falatório, e por aí vai. Daí o cara vai pra Europa e quer manter o mesmo ritmo, sem respeitar a cultura daquele lugar e, pior ainda, sem se preocupar em estar incomodando as pessoas que vivem por lá.

A questão é: Quer fazer sua baguncinha, faça. A gente gosta disso. Mas saiba que agora você está num lugar diferente, com pessoas e regras diferentes. Foi você quem quis se mudar, então precisa se adaptar a essa nova realidade.

Claro, tomando cuidado também para não se “embebedar” com as novidades. Se você está na Irlanda, por exemplo, não vá querer entrar no ritmo dos caras tomando cerveja até no café da manhã, que você pode é virar um alcoólatra. O James, que participou da live que eu citei lá em cima, entrou nessa e não recomenda.

#2 Tem piada que é boa só no Brasil

Nossa, como brasileiro sofre com isso. Existe piada que não pode sair do Brasil, sério. Mexe com a cultura dos caras, envolve problemas políticos e ideológicos, coisas que a gente nem imagina.

Então, na dúvida, para você não correr o risco de ser demitido (acontece!), guarde a piada com você, procure outro brasileiro para rir junto ou aprenda as piadas da região.

#3 Beijinho é só no seu crush

É constrangimento na certa esperar que um europeu deixe você cumprimentá-lo com dois beijinhos ou um abraço. Os caras não lidam com esse nível de intimidade, inclusive é algo inapropriado para eles.

Nesse caso, é bom criar o hábito de sempre perguntar quais são os protocolos da região, para saber como interagir de acordo com a cultura deles. Precisa tirar o sapato? Dar um aperto de mão mais distante? Fazer alguma saudação diferente?
A coisa se torna mais difícil ainda quando você trabalha numa empresa com pessoas de diversos países, porque o que funciona com um pode não funcionar com o outro.

Então, o esquema é conhecer a regra do jogo e se adaptar a ela. Nós, brasileiros, temos um grande poder de adaptação e isso ajuda muito.

#4 Colega e amigo não são sinônimos

Sabe aquele cara que senta ao seu lado no escritório, que é um puta parceiro de trampo, que bate altos papos na hora do café e tal? Acredite: no final de semana, ele nem quer olhar para a tua cara.

Sair para almoçar juntos no horário de almoço? Aceitar uma solicitação de amizade no Facebook? Você tem que ralar muito pra conseguir essas aberturas, mas não é impossível.

No exterior, a fronteira entre colega de trabalho e amigo é muito mais definida. Enquanto aqui no Brasil a gente mistura muito as relações, lá fora o processo de conquista da amizade demora bem mais e os amigos podem ser contados nos dedos.

E isso não é algo ruim, porque ninguém sabe se um colega pode virar um bom amigo, ou se de uma amizade pode sair uma boa parceria de trabalho. Então, aproveite o que cada um tem a oferecer de melhor, respeitando os limites das relações sejam elas em qual nível for.

#5 Trabalho e bem-estar andam juntos

Você está trabalhando demais, por que não tira uma folga? Já não está na hora de tirar suas férias? Está precisando de alguma ajuda financeira? Como estão seus projetos pessoais?

Para nós, brasileiros, é difícil mesmo se acostumar com esse tipo de pergunta por parte do chefe. Ainda mais que somos tão apegados ao trabalho e queremos a todo custo mostrar serviço.

Mas no exterior isso é comum. Os gringos são muito preocupados com o bem-estar de seus colaboradores. Porque são bonzinhos? Não. Em primeiro lugar, porque respeitam as pessoas. Depois, porque eles sabem que precisa haver um equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho para que os funcionários produzam mais e melhor.

Então, se você já ouviu uma dessas perguntas, trate de pensar logo na resposta. E se você tem costume de trabalhar doente, cansado, com preocupações externas, pare com isso. Você não está mostrando serviço, está mostrando fragilidade, o que gera improdutividade.

O fato é: morar / trabalhar fora do Brasil não é fácil e ninguém disse que seria. Mas o bom de tudo isso é que podemos aprender com as experiências dos que já foram na frente e compartilham o caminho das pedras, que não está registrado em nenhum livro. E você, tem algo para compartilhar também? Fala aí!  

Aqui eu tenho mais dicas para você, que está se preparando para fazer essa virada de vida estrangeira.

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