Após uma boa dose de #horaextra, meu amigo Alessandro Martins publicou um post sobre o mito do comprometimento e as consequências da transformação desta palavra em buzzword mercadológica.
Comprometimento é uma qualidade muito valiosa. Segundo o dicionário, é a qualidade de sustentar uma escolha. Por sua vez, uma escolha “consiste num processo mental de pensamento envolvendo o julgamento dos méritos de múltiplas opiniões e a seleção de uma delas para ação”.
Toda escolha acontece em um dado contexto e é preciso reavaliar constantemente as mudanças para se posicionar ou mesmo se reposicionar. Este assunto é muito bem explorado no livro “Os Axiomas de Zurique”, que fala sobre tomada de decisão. No caso, o livro está no contexto de finanças, mas você pode até ignorar este contexto e apreciar a dinâmica do texto.
O ponto que o Alessandro trata é a importância de ter desenvolver a consciência sobre suas escolhas e suas consequências. Ignorar isso, é abrir mão do seu direito de acertar e errar os seus próprios acertos e erros. O resultado pode ser algo semelhante ao descrito abaixo.

“Dois fatores condicionam esta escravidão: a rapidez e as ordens. A rapidez: para alcançá-la, é preciso repetir movimento atrás de movimento, numa cadência que, por ser mais rápida que o pensamento, impede o livre curso da reflexão e até do devaneio. Chegando-se à frente da máquina, é preciso matar a alma, oito horas por dia, pensamentos, sentimentos, tudo. […] As ordens: desde o momento em que se bate o cartão na entrada até aquele em que se bate o cartão na saída, elas podem ser dadas, a qualquer momento, de qualquer teor. E é preciso sempre calar e obedecer. A ordem pode ser difícil ou perigosa de se executar, até inexequível; ou então, dois chefes dando ordens contraditórias; não faz mal: calar-se e dobrar-se. […] Engolir nossos próprios acessos de enervamento e de mau humor; nenhuma tradução deles em palavras, nem em gestos, pois os gestos estão determinados, minuto a minuto, pelo trabalho. Esta situação faz com que o pensamento se dobre em si, se retraia, como a carne se retrai debaixo de um bisturi. Não se pode ser “consciente”.”

Este é um trecho da “Carta a Albertine Thévenon” datado de 1934. A atualidade deste material é de arrepiar. O texto na íntegra pode ser encontrado no livro “A condição operária e outros estudos sobre a opressão”.
Em suma, seja responsável, inclusive pelas suas escolhas.
[]’s!

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