Como fazer o cara da TI entender o que eu preciso?

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Existe uma briga antiga entre as áreas de negócio e de TI. Os dois lados se sentem injustiçados e incompreendidos.

O gestor fica frustrado, porque acredita que explicou tudo que o programador deveria fazer e, mesmo assim, ele não entregou o que foi demandado.

O programador, por sua vez, se sente como um robô, que só serve para executar tarefas pré-formatadas na cabeça de outras pessoas. Pessoas que, na maior parte das vezes, não conhecem o processo de construção de um software, diga-se de passagem.

Mas por que esse problema acontece?

Eu, como alguém que já esteve dos dois lados do balcão, aprendi que esse desentendimento é fruto da falta de uma linguagem comum e também é consequência da confusão sobre o papel de cada ator na criação de um software.

É por isso que neste artigo, vou compartilhar com você que é da área de negócio três ensinamentos que aprendi na minha carreira para trabalhar em harmonia com a galera de TI.

IMPORTANTE: Se você é programador, pare tudo que você está fazendo e recomende esse post para a sua equipe – eu garanto que isso vai te poupar muita dor de cabeça no futuro.

#1 Programação é um ofício criativo

Em muitas empresas, a área de TI é vista como essencialmente técnica. Não se espera que os programadores pensem estrategicamente, mas sim que sejam meros executores de demandas.

Nesse cenário, o envolvimento emocional do dev diminui demais. Quando você chega para o programador com uma receita pronta e diz para ele o que fazer, como fazer e quando fazer, a tendência é que ele se exima do resultado final.

Por isso, é importante entender que criar código é um trabalho criativo, e não algo somente operacional.

Para entender melhor esse ponto, basta pensar no trabalho de um médico. Você não chega em um hospital e diz: “doutor, preciso operar minha coluna”. Você relata seu problema e deixa o médico encontrar o melhor tratamento.

A mesma coisa acontece no desenvolvimento de software. Você, como gestor do negócio, deve definir com clareza o resultado esperado e o programador é quem vai buscar o melhor caminho para chegar até esse destino. É desse diálogo que nascem as funções.

Mas de nada adiante ter clareza do que se quer e não saber comunicar isso de forma eficaz. Isso nos leva ao segundo ensinamento.

#2 Liberte o poder do storytelling

Imagine a seguinte situação. Você chega em uma loja de móveis e pede uma cadeira. O vendedor então lhe oferece uma cadeira de praia, mas você fica chateado, porque queria uma cadeira para sua mesa de jantar.

Essa confusão nasce da falta de contexto. E isso acontece muitas vezes na relação entre as áreas de negócio e de TI.

Por exemplo, você pode pedir para o programador criar um sistema de automação de e-mails. Mas você pode também explicar que a equipe de marketing está gastando um tempo imenso programando o envio de e-mails manualmente.

Pode contar também que a diretoria está insatisfeita com o ritmo de trabalho da área e que há outras demandas em atraso, porque o time está ocupado com essa tarefa.

Quando você apresenta a narrativa na qual a demanda está inserida, isso envolve o programador na busca da solução e vai o ajuda a pensar nos melhores caminhos.

É preciso entender, no entanto, que o processo de encontrar a melhor solução não é linear. Você vai trombar com muitos obstáculos no caminho. É o que vamos ver melhor no terceiro ensinamento.

#3 Programar é errar até acertar

Eu costumo dizer que programar é suportar a frustração do erro até que, de repente, a coisa funcione.

Entender isso vai te ajudar a calibrar suas expectativas com relação ao trabalho da equipe de desenvolvimento.

Como eu disse lá trás, criar código é um trabalho criativo. Por isso, ele não funciona como um processo industrial, no qual já existem soluções pré-moldadas. Isso significa que um software nasce de uma dinâmica de tentativa e erro, de experimentação.

Para reduzir a ansiedade e garantir que os dois lados estão se entendendo, o melhor caminho é ter entregas constantes. É usar a estratégia de baby steps.

Em vez de fazer um pedido e esperar a entrega final para avaliar se tudo está certo, você e o programador dividem o projeto em pequenas etapas. Isso vai reduzir a incerteza e minorar o custo das mudanças.

Saia do sistema de barganha

Por menos sentido que isso faça, os departamentos de muitas empresas ainda funcionam em um sistema de barganha, um competindo com o outro. O resultado é a perda de produtividade e o aumento do desperdício de recursos.

Os três ensinamentos que compartilhei com você neste artigo, vão te ajudar a criar uma cultura de cooperação, onde as áreas de negócio e de TI trabalham em parceria para buscar a melhor solução possível para o cliente e para a empresa.

É exatamente esse o tema da minha nova iniciativa: Porta Lógica!

Se você quer desenvolver sua fluência digital para entender melhor como funciona a cabeça de um programador, te convido para se inscrever na lista de espera. Assim, você vai receber em primeira mão todas as informações sobre o curso.

Vai ser um prazer ter você conosco!

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