Para aprimorar qualquer processo, é preciso apontar as ações bem sucedidas para potencializá-las, e identificar os problemas ocorridos para que não se repitam (ao menos não da mesma forma). No Scrum não é diferente, e a retroalimentação é fundamental para que haja melhoria contínua!
No artigo Como usamos o Scrum na Myfreecomm, eu descrevi como funciona a retrospectiva, mas como exatamente se dá essa melhoria contínua?
Primeiro precisamos do quadro da retrospectiva, onde os post-its verdes indicam o que foi bom, e os vermelhos indicam o que precisa melhorar.
Neste processo, cada integrante da equipe contribui oferecendo sua visão individual sobre o sprint, para a concepção da visão do grupo.

Separando responsabilidades

Agora, separamos cada item que indica a necessidade de melhoria em duas categorias: Equipe e Empresa. A triagem se dá com a pergunta sobre cada item:

“Qual a origem deste problema?”

Por exemplo, há um item dizendo “testes muito lentos”, e a Equipe acredita que a origem está no fato do servidor de testes ser uma máquina antiga e inadequada. Uma possível solução é comprar uma máquina nova. Mas certamente esta decisão depende de fatores e pessoas externas à Equipe, ou seja, depende da Empresa.
Em contrapartida, há outro item dizendo “problemas de usabilidade no Internet Explorer”. A origem deste problema pode estar:

  • na biblioteca javascript usada;
  • no fato de todos os desenvolvedores optarem por usar Linux, e por isso não têm acesso rápido ao IE;
  • no inconsciente de cada um, que nutre pura aversão ao navegador.

De qualquer modo, tudo isto está diretamente ligado à Equipe, e cabe a nós encontrarmos uma solução para que o problema não se repita.

Plano de ação

Depois de finalizarmos toda a categorização, cada item na alçada da Equipe é discutido e propomos ações.
A ferramenta mais útil para este momento é a dos 5 Porquês. Desta forma investigamos os problemas para tratarmos as causas reais e não apenas os sintomas.
Na sequência, propomos também soluções para as questões na alçada da Empresa. Neste caso é papel do Scrum Master verificar a viabilidade, e acompanhar a evolução das propostas, junto a quem tiver o devido poder de decisão.

A mágica da retroalimentação

O resultado prático desta dinâmica é uma série de:

  • tarefas e estórias, técnicas ou não, que alimentam o backlog do projeto;
  • mudanças nas táticas usadas pela equipe;
  • check lists para lembrarmos de validar determinados processos

Mas quem garante que isso vai funcionar?
A resposta curta é: A Equipe
Quando a Equipe está consciente dos seus problemas internos (que não têm relação com a Empresa), ela se depara com o fato de que mudar é uma questão de escolha. Só depende de nós mesmos.
Adicionalmente, as soluções para os problemas da Equipe, foram propostas pelos seus integrantes. Nós mesmos escolhemos o que fazer. Por isso, naturalmente, nós somos os responsáveis pelo sucesso, e consequentemente nos vemos todos comprometidos.
Agora, é seguir para o planejamento do próximo sprint. Na próxima retrospectiva, avaliamos as implementações das ações propostas e os resultados obtidos, repetindo todo este processo.
[]’s!

COMPARTILHE ESTE ARTIGO

Share on facebook
Share on linkedin
Share on twitter
Share on email

2 respostas

  1. “…no inconsciente de cada um, que nutre pura aversão ao navegador…”
    Hahah, muito boa!
    Muito interessante o post. Texto rico e bem resumido.
    Vale a pena também dar uma lida neste artigo que fala dos “6 Chapéus do Pensamento” http://bit.ly/14Zu2W
    É uma experiência legal para retrospectivas.
    Abraço,
    Luiz

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *