Como empreender do zero – parte final: Como evitar o ciclo de 5 anos de sofrimento

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No artigo anterior, te mostrei que a burocracia e as legislações do governo nada mais são do que a regra do jogo. Por isso, é preciso entendê-las para tomar decisões fundamentadas e não correr riscos desnecessários.

Hoje quero conversar com você sobre algo que tirou meu sono no início da minha caminhada como empreendedor. Eu já empreendo há 14 anos. Nesse período, além de tocar minha própria empresa, também ajudei a reestruturar negócios de familiares e amigos.

Nessa jornada, descobri algo que eu chamo de o Ciclo de 5 anos de Sofrimento.

Durante a primeira meia década de empresa, você se depara com diferentes problemas. Cada dia é uma treta nova que aparece. Você acaba virando refém das urgências e vai deixando de lado o que realmente vai te fazer crescer e ter a tão sonhada liberdade.

Com o passar do tempo, fui percebendo que a maioria dos pepinos surgiam de um mesmo grupo de problemas. As mesmas situações se repetiam em diferentes empresas.

Eu sempre dizia:

Se alguém tivesse me dito tudo isso antes, eu teria evitado todo esse sofrimento e estresse…

Por isso, neste artigo, quero te falar de alguns pontos essenciais que me ajudaram a lidar com a maioria dos problemas do negócio.

Entenda as relações da empresa

Uma empresa nasce para resolver um problema da sociedade. É o que chamamos de função social ou objeto social. Nesse sentido, ele não é ente isolado. Ela interage com uma série de outros atores e estabelece diferentes tipos de relações.

A primeira delas é a relação entre os sócios. O fluxo aqui é o seguinte: os sócios investem na empresa, que vai gerar riqueza e depois vai dividir os dividendos.

A segunda – e mais importante – interação é com os clientes. Afinal, se eu não sei quem é meu cliente, não adianta nem ter uma empresa. Essa relação começa com uma oferta, na qual a empresa oferece uma solução para determinado problema do consumidor e recebe um pagamento em troca.

Para poder prestar esse serviço, muitas vezes, eu vou precisar de fornecedores. Minha empresa vai contratar o trabalho desses atores para poder viabilizar a entrega de valor para o meu cliente final.

É importante observar que são vários ciclos acontecendo ao mesmo tempo. É isso que torna mais complexa a gestão do negócio.

Para operar, o negócio também precisa interagir com o Estado. Aqui é preciso entender que os impostos são um preço que pagamos pelo serviço que o governo nos oferece de garantir a existência da empresa e de construir a infraestrutura necessária para ela operar.

A empresa, por fim, precisa de funcionários para produzir. Os próprios sócios podem assumir este papel. Nesse sentido, dá pra ver que a mesma pessoa pode assumir funções diferentes dentro do negócio.

Há vários tipos de interações possíveis. Para alinhar o relacionamento entre os diferentes atores, é preciso ter um propósito claro, que é o de manter a saúde financeira da empresa.

Para fazer isso, é preciso ter um método de controle mais sofisticado. Isso nos leva ao nosso segundo ponto.

Controle contábil > Controle financeiro

Quando você decide empreender, não dá para ficar vivendo de listas. É exatamente isso que acontece quando se usa um controle financeiro. Você começa a criar centenas de categorias de gastos (restaurante, conta de luz, internet, pró-labore, supermercado), que tende ao infinito.

Isso acaba elevando o custo do controle. Você passa a gastar muito tempo e corre o risco de perder o foco no essencial, que é fechar negócios e manter a empresa na azul.

É para simplificar esse processo que vem o controle contábil. De forma geral, você passa a classificar todas as operações com os diversos atores como débito ou crédito. Os créditos aumentam o ativo – tudo que gera ganho para empresa (pagamentos recebidos dos clientes, recebíveis, dividendos, etc) – e os débitos, o passivo – tudo que retira dinheiro da empresa (pagamentos de fornecedores, impostos, etc).

Esse processo é chamado de partidas dobradas. Nele toda transação gera um débito em uma conta e um débito em outra. O resultado de cada operação tem que ser zero.

Esse sistema garante que você nunca vai perder o controle da sua conta. Assim, você evita o desperdício de dinheiro e consegue entender melhor se a empresa está indo bem ou mal.

Com esse modelo, você usa uma única estrutura de somar e subtrair (débito e crédito). Isso facilita o processo de automação e te permitir gastar o mínimo de tempo possível na gestão do negócio para focar no essencial.

É um método que vai te dar muito mais liberdade e autonomia. Os detalhes sobre como fazer isso, você pode ver no curso de “Eu empresa” que começa hoje, 25/02/2019.

Empreender é uma das melhores formas de expressar e expandir sua autonomia. A empresa pode ser uma ferramenta excelente para ampliar o número de caminhos possíveis na sua jornada e permitir que você programe sua vida da forma como sempre desejou.

O passo a passo para você empreender do zero

Eu criei esta série de artigos com o objetivo de ajudar pessoas que querem trabalhar de uma forma mais autônoma, mas que ainda encontram dificuldades para fazer com confiança.

No primeiro artigo, eu revelo 3 fatores que devem estar presentes na sua forma de encarar o mundo se você não quer quebrar a sua empresa no primeiro ano. No segundo artigo, eu explico como você pode formalizar e usar o seu negócio para alavancar a sua carreira (seja como freelancer, funcionário de uma empresa privada, etc).

No terceiro artigo, eu falo sobre a burocracia e a importância de você conhecer as regras do jogo. E nesse artigo eu explico como você pode lidar com os problemas que surgem no dia a dia de um empreendedor.

As estratégias e dicas que compartilho nesta série fazem parte do curso Eu Empresa – Um treinamento completo e criado para apoiar quem quer empreender com mais liberdade, deixando de ser refém das burocracias para focar na satisfação dos seus clientes.

As aulas da 2ª edição deste curso começam hoje (25/02) às 20h e você pode garantir a sua vaga clicando aqui.

 


Leia os outros artigos desta série:

  1. Como Empreender Do Zero — Parte 1: Será Que Você Está Pronto Para Empreender?
  2. Como empreender do zero — parte 2: Quem é a sua empresa e como ela pode alavancar sua autonomia
  3. Como empreender do zero – parte 3: Conhecendo as regras do jogo e o que está por trás da sopa de letras da burocracia

 

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