Como transformar suas ideias de software em cases de sucesso

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O maior desafio do programador não é escrever código, mas sim resolver a dor do cliente e do usuário. Eu aprendi essa lição da pior maneira possível.

Há alguns anos, eu gerenciava uma equipe que estava trabalhando no desenvolvimento de um software. O prazo – como sempre – estava apertadíssimo e eu decidi trabalhar virado por oito dias em pleno carnaval para conseguir entregar a demanda.

O resultado foi desastroso. Vinha dirigindo na ponte Rio-Niterói, dormi no volante e causei um acidente com vários carros. Dentro de um deles, tinha uma mulher grávida.

O pior de tudo é que o software pelo qual eu tinha sacrificado o meu bem-estar – e o de toda equipe – nunca foi entregue. O cliente mudou de ideia e o esforço de todas aquelas horas extras foi para o ralo.

Esse fato me trouxe várias lições que gostaria de compartilhar com você neste artigo. Ele me fez ver que o verdadeiro valor do trabalho de um programador não está no código que ele cria, mas sim no que acontece depois que alguém usou aquilo que ele criou.

O maior desafio do programador

O maior desafio do programador é não se limitar a ser um programador. O código é só um meio para chegar a determinado fim.

Por isso, mais importante do que a tecnologia que você utiliza, é entender e validar qual o problema que deseja resolver. Quando você foca no problema e não no software pelo software, você amplia sua gama de caminhos possíveis.

O melhor de tudo é que você começa a perceber que sempre há alternativas mais simples do que as que você tinha pensado inicialmente.

Para exemplificar o que estou dizendo aqui, vou te contar uma história rápida. Uma fábrica de pasta de dentes estava enfrentando um grande problema: em algumas caixas haviam tubos vazios, sem pasta alguma lá dentro.

Isso ocorria por uma falha na linha de produção. Para resolver essa treta, o dono da empresa reuniu seus engenheiros. Esse grupo decidiu que a melhor solução seria comprar uma balança de alta precisão, que indicaria quais tubos estavam vazios.

Dito e feito. O dono investiu uma grana preta para comprar o aparelho e instalar na linha de produção. Semanas depois, ele percebeu que o problema havia sido resolvido.

Decidiu, então, ir conversar com os trabalhadores da linha de produção para ver o quão satisfeitos eles estavam com a nova tecnologia. Foi quando um deles lhe falou: “patrão, a balança parou de funcionar logo no segundo dia de operação, mas daí nós pegamos aquele ventilador ali e ligamos aqui perto da linha. Assim, o vento empurrou os tubos vazios para fora”.

Resumo da história, se você conversa com quem realmente vive o problema para entendê-lo melhor, fica mais fácil, rápido e econômico achar uma solução.

Não é sobre você, é sobre o outro

Por que tantos projetos de desenvolvimento de software que tem uma equipe de devs competentes acabam não dando em nada, como aconteceu comigo?

Na minha jornada, percebi que isso é reflexo de uma desconexão com o outro. A equipe acredita que entende melhor a dor do cliente do que ele mesmo. Daí, acaba relaxando com a validação.

E é aí que a coisa começa a desandar.

No início de um projeto, o cliente tem apenas uma vaga noção do que ele realmente quer. Por isso, é fundamental ter uma esteira de validação constante. A forma mais eficaz de fazer isso é trabalhar com baby steps.

Você tem que desenvolver a solução mais simples possível que dê para o cliente usar. Quando isso acontece, você consegue ter ciclos curtos de feedback para poder ajustar a rota.

É importante entender que você não desenvolve o software para você mesmo. O que interessa é a satisfação do cliente. E, se esse é o objetivo, é imprescindível manter uma comunicação bem próxima com o principal interessado no seu trabalho.

Isso vai evitar que você gaste suas horas, sua grana e sua saúde criando features que nunca serão utilizadas.

A forma de programar faz toda diferença

Para transformar seu software em case de sucesso, você precisa garantir que ele gera um valor real para o usuário. Isso tem mais a ver com a forma como você programa do que com a tecnologia que você usa.

Se há uma certeza no processo de desenvolvimento é que, na semana da entrega, o cliente vai pedir duas ou três coisas novas que não estavam prevista inicialmente.

Por isso, é fundamental que você pense no seu software como um organismo vivo, que estará sempre em constante evolução. O desafio é acolher a mudança.

Para esse processo não se transformar em algo enlouquecedor é preciso saber gerenciar as expectativas e controlar o escopo do projeto. E isso não depende da sua capacidade de programar, mas sim de dominar o que está além da programação.

Não basta escrever o código. É necessário você ter métricas para acompanhar o que está sendo programado e para medir o custo de cada alteração.

A grana é a linguagem universal. Quando você consegue mostrar para o cliente quanto vai custar cada mudança, ele vai pensar duas vezes antes de pedir coisas desnecessárias. Ele com certeza vai preferir usar um ventilador em vez de uma balança de alta precisão.

Dessa forma, você consegue manter o escopo adequado à capacidade de entrega do time e aplica os recursos disponíveis naquilo que realmente vai resolver o problema do usuário.

Convite especial

Se o que eu te falei aqui fez sentido para você, queria te fazer um convite totalmente excelente. Na próxima quinta-feira (16/05), vou realizar o Grande Encontro. Nesse evento, que marca o lançamento da turma Douglas Engelbart do Welcome to the Django, vou reunir cinco especialistas fodas do mercado de TI.

Eles vão contar os segredos para ser reconhecido pelo mercado de programação como alguém que desenvolve software, resolve problemas e transforma ideias em oportunidade de negócios.

Para participar, basta deixar seu e-mail no formulário abaixo. Será um prazer contar com a sua presença nesse bate-papo.

Conheça os convidados:

Daniel Wildt – Trabalha com desenvolvimento de software desde os 17 anos de idade. Atuou no mercado de mobilidade, empreendeu com consultoria e treinamento em Tecnologia e Gestão. Foi um dos pioneiros em Metodologias Ágeis e influenciou diversas comunidades de prática no RS. É conselheiro da uMovo.me e hoje se dedica à mentorias sobre gestão, empreendedorismo, produtividade, design thinking e desenvolvimento de software na Wildtech.

Daniel Weinmann – CEO e fundador da Seasoned, empresa especializada em atuar como braço de tecnologia de startups e negócios digitais. Além disso, é fundador do Catarse, maior plataforma de crowdfunding da América Latina.

Aline e Henry Fentanes – são membros do WTTD, que reinventaram a própria vida. Saíram do interior do estado do Rio de Janeiro para ganhar o mundo como freelancers. Hoje tocam uma agência digital enquanto viajam conhecendo o mundo.

Gustavo Coelho – empreendedor, advogado especialista em Direito Empresarail, professor, mestre e doutorando na área. Usa as regras do Direito para viabilizar negócios e iniciativas.

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