Autonomia & Tecnologia

Você acha que tem tempo? Achou errado, otário!

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Eu adoro esse bordão do Choque de Cultura porque ele faz exatamente o que o nome diz: dá um choque. E o choque nesse texto é que a vida é foda.

Sábado, dia 09 de dezembro de 2017 foi um dia maravilhoso com uma noite tenebrosa. Eu estava apreensivo porque havia alterado o formato daquela edição do Autonomize-se, o encontro presencial que reúne membros do Welcome to the Django que desejam eliminar os obstáculos para sua própria autonomia.

Galera no Autonomize-se edição 2017-2.

Se de um lado eu sentia o natural receio do desconhecido, do outro eu tinha a confiança de que não poderia estar melhor acompanhado naquele momento. A minha equipe reunia Gustavo Coelho, Cristiane Monteiro, Janaína Toscan, Evelin Laureane e André Lombardi.

Foi graças ao trabalho conjunto desse time combinado com o engajamento dos participantes, que essa edição do Autonomize-se foi a melhor de todas. Tudo fluiu muito bem, e todos os participantes saíram com seus planos de ação. Os feedbacks que estamos recebendo estão maravilhosos.

No evento, eu fiz uma apresentação sobre o que chamo de autonomia, e como sempre ocorre, eu mencionei o Oswaldo Oliveira, meu grande amigo e pai do André, que se tornou um grande amigo e por isso estava lá comigo.

Foto do Oswaldo Oliveira
Oswaldo Oliveira

Durante o dia, André não estava se sentindo bem e ao fim do evento foi pra minha casa descansar. Como é a tradição, eu fui para o bar com a galera do evento e estava começando a engrenar as conversas. Mas tive que sair correndo… Minha esposa me ligou dizendo que o André estava muito nervoso, pois algo havia acontecido com o Oswaldo.

Peguei o primeiro táxi que apareceu e no caminho usei a rede pra me conectar com as pessoas próximas em São Paulo pra chegar já na atividade, ajudando no que eu pudesse. A informações eram truncadas, mas estava claro que o prognóstico não era bom. Levou a noite toda para termos a confirmação do falecimento do “Oswaldão”.

Passei a madrugada dando atenção para o André enquanto ele coordenava a família. Conseguimos um voo para SP às 5h da manhã e às 3h eu levei ele no aeroporto do Galeão.

Voltei pra casa e não consegui dormir.

Fechava os olhos e via a risada sacana daquele filho da puta que mudou a minha vida apenas por ser meu amigo. Ele explicava a força da amizade e afinidade dizendo:

Boi preto cheira boi preto, ‘Henriquitcho’.

Os inquietos perambulam pelo mundo buscando os seus.

É impossível passar por um acontecimento desses e não refletir. Mas parando para pensar na vida, a conta não fecha.

São muitos os obstáculos na busca por autonomia. Existem questões emocionais, pessoais, práticas, de relacionamento, profissionais, etc. O desafio é lidar com toda a complexidade da vida enfrentando medos, culpas, fazendo escolhas difíceis e todas as inúmeras ações necessárias para ir rumo ao desconhecido para construir o que se deseja.

No caminho, são incontáveis as histórias de problemas com procrastinação, com motivação, problemas com grana, problemas com chefe… problemas.

As desculpas são muitas. Mas será que há tempo pra isso? Não. E a urgência de viver fica ainda mais evidente quando penso no Oswaldo.

Oswaldo é a pessoa que conheço que mais fez!

Ele fez de tudo. Sempre saiu fazendo. Nunca procrastinava. Sempre encarava as coisas de frente. Era foda acompanhar o ritmo dele. Sempre vendo lá na frente com tanta clareza que nunca esperava. Apenas fazia.

E quando alguém perguntava:

– Mas o que você faz?

Ele sempre respondia:

– Faço o que posso!

A reflexão e o exemplo que ficam com a saudade, é que a vida simplesmente acontece.

Não há tempo pra esperar. A energia gasta procrastinando ou “se preparando”, é energia que não está sendo empregada no viver.

Viva! O.G.E.! Oge! Mas não faltam letras aí? Faltam. Na vida sempre vai faltar algo. Principalmente tempo. Então você tá esperando o que?

É com esse movimento que levarei comigo o carinho pelo meu amigo.

Este não é um texto para gerar tristeza, mas sim pra botar fogo no rabo de geral pra que a gente se mexa agora. Bora superar aquele limite! Bora abrir mão daquilo que não serve mais! Bora fazer! Bora viver! Bora!

 


Imagem originalmente postada em MateoArnaiz.com

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  • Adilson Santos

    Excelente texto! É isso mesmo: o tempo é o recurso mais valioso e raro que temos. Saber como usá-lo bem é a chave para uma vida plena. E sorte de quem aprende isso o mais cedo possível!

  • Clauber Lima

    Caramba, Henrique, que “porrada”!
    Agradeço por compartilhar o texto, a reflexão e por gerar tantas outras reflexões!

    Vamos parar de conjugar o verbo FAZER no futuro e fazer como o “Oswaldo”… “fazer o que pudermos fazer!”.

    Abraço!

    • É! E o que podemos fazer não é o que os outros nos dizem, nem o que pensamos que é permitido ou não. É bem mais amplo que isso. É foda. Tem que arriscar.

  • Rafael dos Anjos

    HB + um grande choque, obrigado por alimentar a minha inquietude.

    • Boa, @disqus_YYMVP5c15u:disqus! Inquietude… ta aí algo pra ser cultivado!

  • Lucas Farias

    Boa HB! Vamos viver sem esperar por algo que é incerto como o futuro.

    • É aquilo… sem fazer nada acontece. Fazer é o mínimo. 🙂

  • Carlos Stclara

    Sem palavras HB… Apenas: Bora levantar o rabo da cadeira……

  • Bruno Tougeiro

    Rapaz suas palavras sempre me geram essa euforia que encontro quando leio os seus textos. Realmente é revigorante chegar pela manhã no trabalho com um texto desses e saber que tudo o que tenho feito tem sido com base nesses conceitos. Forte abraço e sucesso.

    • Falaê, @brunotougeiro:disqus! Que massa! O que vc anda aprontando por aí? Compartilha com a gente? #borafazer

      • Bruno Tougeiro

        Atualmente estou estudando python para machine learning, data analysis e data science. Estou bem contente com tudo, e também aprendendo bastante a cada dia.
        Uso o python como Linux SysAdmin, sempre na linha back-end da coisa, assim como, uso para linkar APIs pegando dados e transformando em informações… Só que ainda não sou mestre em nada disso… Me considero um eterno estudante, aproveitando o meu tempo… aquelas horinhas vagas no trabalho, quando chego em casa, sempre aproveitando pra criar e estimular meu cérebro… e são essas as coisas que tenho feito atualmente… Obrigado pelo retorno HB e #borafazer

      • Que massa! Se entender como um eterno aprendiz é pra mim uma das grandes sacadas. Não te prende na zona de conforto do que vc já sabe.

        Também penso que é importante aprender fazendo, aplicando em projetos, trabalhos, etc. Se não a gente fica devorando livro sem nunca botar a mão na massa (já fiz muito isso no passado).

        Vc já tá escrevendo sobre o que anda aprendendo? Básico ou avançado, não importa. Pega 1 coisa que vc aprendeu e achou irado e explica sem pretensão de ensinar, de redigir uma tese.

        Escreve como se tivesse contando pra um amigo no boteco. Bota no medium ou qq coisa rápida assim. Eu tô mega curioso pra ler.

      • Bruno Tougeiro

        Te contar uma coisa legal então que fiz! Há um tempo atrás, eu participei de uma entrevista de emprego que me lançou um desafio. Eu deveria criar um sistema que focasse em alta disponibilidade e balanceamento de carga em aplicações web usando o um servidor Node.JS com proxy reverso em Nginx, onde a aplicação conseguisse dar update, e um possível rollback caso fosse necessário. Bem… Dai você pensa, cara que troço difícil, como você fez isso?
        Antes de responder eu quero afirmar que não sabia nada sobre Node.JS até então… Uma vez li uma frase que desconheço o seu autor, porém ela dizia: “Por saber que era impossível, foi lá e fez.” Essa frase sempre mexeu muito com a minha estrutura, com isso, sempre que me deparo com uma situação que parece ser impossível ao meu conhecimento, me coloco na postura dessa frase.
        Respondendo a pergunta lançada, eu simplesmente criei um sistema em shell script que automatizava no linux um servidor Nginx utilizando um proxy reverso e jogando um simples “Hello World!” na tela através do Node.JS. Onde a mesma utiliza os núcleos do processador para criar várias instâncias, ou seja, aplicações vivas, rodando simultaneamente na finalidade de gerar alta disponibilidade no troço, sendo que se uma aplicação caísse, eu criei um sistema que monitora isso, e levanta outra aplicação de forma automática, parece coisa de louco né? Mas não é… Você consegue conferir lá no meu canal do github: https://github.com/brunotougeiro/node.js
        Onde eu posso usar isso?
        Imagina que vc tem um site de vendas… Imagina o quanto vc perderia em dinheiro se o seu site de vendas caísse? Esse app foi feito na intenção de não gerar indisponibilidade em uma situação como esse exemplo.
        Esse sistema também consegue gerar um throughput (gera teste de carga no servidor, gerando um relatório enviado por e-mail). Massa né!?

        Daí você me pergunta? Fui contratado?

        A resposta é não… Pois preferiram contratar um cara com menos experiência, um analista junior, onde o custo para empresa seria menor… no final de tudo isso aprendi uma grande lição. Você pode vencer qualquer obstáculo, o seu maior obstáculo é você mesmo, e sempre pense que você é o protagonista da sua própria vida. Essa frase é muito familiar pra você né HB ? rsrs Você é fera amigo… Estou sempre de olho em você!

        Esse sistema eu acabei deixando no Github, e disponível para qualquer pessoa usar.

        Forte abraço e sucesso!

      • Totalmente excelente! Muito obrigado por compartilhar! 😀

  • Cara ! esse é o espírito !! chora a bota !!
    Como diz meu amigo Eugênio: Mestre, capa o gato !!
    kkk Abraço Henrique !!

  • Clauter Carlos

    “Takiupariu Henrique”! Choque na cabeça e fogo no rabo! kkkkk
    Gratidão!

  • Excelente texto! É impressionante como um post, um texto, uma conversa, motiva a gente a querer sempre avançar e fazer algo a mais, como acontece agora depois de ler este post. Obrigadão, mais um vez.

    • Legal, Eder! Tô achando massa d+ acompanhar o seu processo. Mete ficha, meu amigo.