Autonomia & Tecnologia

Trote na UFF = Dojorio + Educação 2.0

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A última segunda-feira entrou para a história!

Com toda a energia vibrante de quem sente na pele o poder da colaboração, o Dojorio recepcionou os “Calouros” dos cursos de Ciências da Computação e Sistemas de Informação da Universidade Federal Fluminense.

Esta não foi a primeira vez que levamos o Dojorio para os alunos iniciantes. Mas, neste ano, o Coding Dojo foi o primeiro contato que os alunos tiveram com a universidade!

Muitos “Veteranos” da UFF são membros ativos na Comunidade e semanalmente, realizam duas sessões do Dojorio nas dependências da instituição.

A iniciativa surgiu na quinta-feira passada, quando o Thiago Garcia e o Bernardo Fontes me ligaram de madrugada com a brilhante idéia de organizarmos um Dojo para que todos os Calouros pudessem programar, e assim experimentar a arte de esculpir software.

Os acertos foram feitos com a universidade, mas parecia que estava faltando algo. Seria ideal deixar a turma boquiaberta. Deixar claro para os novatos, sem margem para dúvidas, qual é real importância do Dojo e da participação ativa na Comunidade.

Então que tal adicionarmos à isso tudo, um vídeo com alguns “Veteranos” da Comunidade transmitindo o recado aos Calouros?

Rapidamente despachei emails, twitters, sms e mensagens instantâneas para um monte de gente e fui dormir.

Já no dia seguinte, mesmo com cada um em um fuso horário diferente e agendas lotadas, os vídeos foram chegando. Vocês podem chamar isso como quiserem: sinergia, sincronicidade, doidêra ou sorte. Eu chamo simplesmente de Small Acts!

Os Calouros foram chegando espantados, certos de que seria um dia de tintas e prendas. Ao invés disso, foram recebidos com a empolgante apresentação de boas-vindas do Bernardo Fontes, que é estudante da UFF. O objetivo era quebrar a tensão, escancarar as portas da Comunidade e falar do que interessa: Hack!

O resultado? Todos quiseram participar! Foram tantos alunos que foi preciso separar o pessoal em dois Dojos.

Para ter uma noção do que seria aquela experiência, foi feito um senso: Quem nunca viu código na vida?

Tímida e lentamente a grande maioria dos alunos levantou a mão.

Imediatamente, foram enfatizados os princípios do Dojo. Um ambiente não-competitivo, seguro e colaborativo. Perfeito para promover uma grande experiência, além de um fantástico aprendizado.

A sessão começou com o clássico FizzBuzz, e já na primeira dúvida os Veteranos foram pegos no contra-pé: Porque algumas palavras estão coloridas?

Levaram alguns segundos para se ajustarem ao desafio, e iniciando um diálogo igualitário, se aventuraram pelos conceitos mais básicos como palavras reservadas, operações aritméticas, strings e o conceito de funções com entrada, processamento e saída.

A troca de pilotos e os baby steps fizeram grande sucesso. Sabendo que todos participariam com igualdade e que o fundamental era não deixar ninguém para trás, os alunos se sentiram à vontade para experimentar e tirar dúvidas com a mão na massa.

A linguagem usada foi Python, e isso foi bastante relevante como constatou o aluno Michael: O Python é uma linguagem simples!

A separação de blocos usando indentação facilitou o entendimento do código. Parece que apenas programadores experientes e com vícios têm problemas com indentação. Nenhum aluno cometeu um erro sequer neste quesito. Muito pelo contrário, o uso dos “:” como indicador de início de um bloco indentado, foi deduzido por um calouro enquanto evoluía o código.

Eventualmente, quando a solução ficou um pouco mais sofisticada, surgiu a questão: Como eu escolho isso OU aquilo?

Naquele momento o or foi apresentado e a sessão seguiu. Quando os alunos precisaram testar isso e aquilo, ninguém perguntou nada e o and tomou o seu lugar na solução do problema.

Este episódio reavivou na minha memória as duas polêmicas bastante comentadas no ano passado:

Já era claro e evidente para mim que o ensino de computação precisava ser reinventado. Mas agora está provado.

O modelo arcaico limitado em palestra e quadro-negro é ineficaz!

De forma geral, a Educação 1.0 é competitiva e segregacionista. Alunos são coagidos durante anos a marcar a resposta correta ao invés de criarem uma resposta correta.

Tudo isso para chegarem no mercado e se depararem com empresas que não querem funcionários mestres em Cover Your Ass, e sim colaboradores capazes de ajudarem suas equipe à atingirem novos patamares.

Com tantos recursos tecnológicos, literaturas sobre psicologia, sociologia e jogos, não é possível que algo tão dinâmico quanto a computação continue sendo ensinada na base do cuspe e giz. É hora de arregaçar as mangas e forjar a Educação 2.0! Um modelo de educação onde atividades como o Dojo não são apenas aulas especiais em laboratórios.

O real valor do Dojo está na frase do calouro Armando Asch: “Esta é uma maneira dinâmica e agradável de aprender ou treinar, mesmo para iniciantes! Eu já tinha visto código antes, de longe. Mas agora eu sei que é isso que eu quero para a minha vida.”

As dificuldades e as incoerências do sistema precisam ser superadas. O fato é que a sociedade precisa de pessoas pensando melhores maneiras de lidar com os recursos limitados que temos à nossa disposição. Qualquer coisa que não siga nesta direção é um desserviço.

Happy hacking!

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  • Ótima iniciativa

  • Pingback: Certificados, Formação de Carreira, BrazilJS e EDTED | Desconferência()

  • Renan

    Aqui em Fortaleza já copiamos a idéia e fizemos um dojo com os calouros do curso de ciências da computação da UECE.
    se quiserem conferir: http://migre.me/4sGBF

  • Pingback: DevInCachu e Como Aprender a Programar | José Alexandre Macedo Blog()

  • Marciusu

    Esse video é muito bom e ouvir pessoas que realmente sabem o que estão falando é no minimo inspirador, vou ser obrigado a recorrer uma frase bastante usada no video “Dojo é do caralho”, participem ou criem os seus e me convidem!!!!

  • Pingback: Mapa das Comunidades de tecnologia do Rio de Janeiro | raphael.dealmeida()

  • Parabéns pelo vídeo. E aí, vamos começar a movimentar o país e fazer com que os trotes em faculdades de computação sejam trocados por coding dojos?

  • Fabio Massa

    Parabéns! ótima idéia e parabéns pela iniciativa!
    tbm sinto um pouco de inveja por não ter participado de nenhum dojo na época da faculdade.

    Show!

  • Pingback: Episódio 26 – Carreira na área de TI – Parte 2 « Grok Podcast()

  • renan

    Olha o Raí na foto!

  • Nossa! Que trote perfeito! Queria eu ter tido um trote assim!

  • Luciano

    Olá Henrique, adotei a técnica de DOJO na disciplina que leciono numa faculdade aqui em Salvador e o resultado nem se compara com os semestres passados.

  • Meus parabéns! Excelente iniciativa, que demonstra como nossas práticas de ensino e aprendizagem estão desatualizadas. Prometo repetir o feito se tiver a oportunidade.

  • muito show! parabéns pela iniciativa!
    small acts vão revolucionar o mundo!

  • Christiano Milfont

    Fico triste de ser da geração anos 90 na faculdade e ñ ser um moleque dessa era 🙂
    Ao mesmo tempo feliz em saber que estão mudando a realidade, grande ação, fizeram mais que o MEC em toda sua existência.

  • Música de fundo é Rise Against – Survive.

  • Fernando

    No meu primeiro (e infelizmente único Dojo) eu estava começando a programar, e foi ele que me despertou para testes unitários, que foi muito útil para mim no futuro.

    Parabéns pela iniciativa.

  • Berg Ginú

    Amei a iniciativa, pensando em fazer igual na UFPB. Só me diz qual a música do fundo musical.

  • Parabéns !!

    Vocês estão plantando sementes de Python no mercado hein…! 😉

  • Gerardo Soares

    Sou um dos calouros que participaram lá do trote.
    E acho que tou falando por todos os calouros que participaram de lá (se não estou, pelo menos por mim) esse trote deixou muita galera animada pro que vai acontecer na facul.
    Eu iria nessa semana de trote, mas moro longe, aí fudeu.

    Só pra registro, sou o de camisa verde na direita da primeira fila.

  • Ótimo! Parabéns!
    Boa ideia para recepcionar os calouros na minha faculdade! =)

  • Felipe Mesquita

    Caraca,

    Bem legal!

  • Fodasso! Legal notar que o mesmo aluno que aparece levantando a mão na primeira foto, indicando que nunca havia programado, já aparece mandando ver na foto seguinte. #WIN
    E que venham as grandes revoluções!

  • Raffael Tancman

    Perfeito!!!!!! Parabéns !!!! E que o Dojo continue!!!!! xD

  • Animal. Galera da UFF tá mandando bem 🙂

  • Empolgante! A cada dia que passa, a comunidade do Rio inova mais!

    Parabéns ao Henrique e todos os envolvidos.

  • Muito bacana!

  • Ruhan

    Muito legal! Eu e uma amiga começamos com esse mesmo trote aqui no IFF, em Campos, na semana passada.

  • Vitor Pellegrino

    Caraca mlk, irado!

    Parabéns aí, a galera da UFF tá arrebentando! 🙂

  • Caraca, eu já formei, mas eu vou tentar levar isso pra galera lá do meu curso =D

  • Mandou mto bem no post, poderia ser assim em toda faculdade, em vez das aulas chatas e antiguadas que geralmente acontecem.

  • Parabéns pela iniciativa pessoal!

    Isso sim é um trote bacana, não só pintar a galera e se encher de cachaça!

    E continuem disseminando esse novo modelo de educação!

    Que os calouros passem pra frente!

    E parabéns pelo vídeo que ficou irado!

  • Já falei com o pessoal da Acens(empresa jr de computação uece) para eles fazerem o mesmo com os bichos de lá 😀

    Muito bom. Parabéns

  • Andressa

    Muito legal. Seria muito bom se várias universidades tivessem dojos. Vou tentar trazer isso para a UFES-Alegre.

  • Washington Botelho

    Mandaram super bem.

    Parabéns! (:

  • Muito bom!!!

    A galera da PythOnRio está se superando. Acho que o caminho é esse mesmo.

    Pena que ainda haja muitas empresas dinossáuricas, que favorecem o profissional «cover-your-ass»: aquele cara que se promove por meio de certificações, mas que não sabe se virar, só segue receitinhas de bolo.

    Porém as coisas estão mudando e todo mundo tende a ganhar com isso: a Computação, a comunidade, a cultura e principalmente as empresas, com a contratação de profissionais mais bem preparados.

    []’s
    Cacilhας, La Batalema

  • Francisco Souza

    Sensacional!

    Que isso inspire outras pessoas 😀

  • Thiago Garcia

    Muito foda ter tido a oportunidade de fazer isso!! E isso foi só o ponta-pé inicial!

  • Muito legal essa iniciativa! A galera do rio é um exemplo para todas as comunidades do país, sempre inovando bastante, com ações simples.

    Sem falar que o vídeo é uma voadora no peito! hehehe

    Vou usa-lo em todas as apresentações de dojos!

  • Muito foda! Próximo DOJO eu vou!

    Abs!

  • Excelente idéia!!! Espero que outros adotem.

  • Cláudio Berrondo

    muito mais que totalmente excelente!
    😀
    >

  • Rodolpho

    Parabéns a todos os envolvidos!

  • Muito bom o post cara. Depois que eu começei a frequentar o dojo minha vida tanto pessoal quanto profissional cresceu muito. Agradeço a todos os participantes sempre!

    abs.

  • Sensacional Henrique!

    Temos que levar isso para várias outras universidades.

  • Parabéns Henrique muito legal, queria saber se vcs tem como transmitir um dojo via twitcam ou sei lá para da um gostinho para o pessoal.

  • Aqui no Senac em SP nós fizemos a mesma coisa!
    Ao invés de fazer um trote daqueles com tinta, farinha e etc, fizemos uma semana pra poder socializar com os calouros 🙂
    Fizemos um dojo, uma atividade dinâmica em que o pessoal tinha que se ordenar, e também uma “aula-trote”. Um professor dando matéria do último ano pro pessoal. Foi mto legal!

  • Galera, parabens pela iniciativa e principalmente pelo vídeo que ficou fodástico!!

    Abraços!

  • Edjames

    Phala aêee,

    Estive no Rio exclusivamente para assistir o DevRio 2010 e para mim foi uma grande surpresa quando o Henrique começou a falar sobre o #dojoRio, fiquei facinado pela ideia e quiz muito participar do encontro da galera, pequena que acabou não dando certo, pois na segnda feira-seguinte não havia o encontro 🙁 Como agora estou morando um pouco longe (Porto Velho -RO) ficou meio impraticável, mas quero partipar ou montar um #dojopvh 🙂 sob os auspícios do #dojorio … o que me diz Mr. Henrique Python 🙂

    Ps: já havia falado sobre essa idéia com o L. Balter, mas não toquei pra frente ainda.

    abs,

  • Ronald Reis

    Parabéns Henrique, muito bom post, parabéns também Bernado e Thiago pela iniciativa.

    Abração

  • No cara ,achei fantástico o vídeo. Nunca participei de nenhum dojo e não sei se tem algum movimento do tipo aqui em belo horizonte, mas acho que seria muito bom mesmo!

    Abraços!!!