Autonomia & Tecnologia

Quem é responsável pela sua carreira?

Neste bate papo, conversamos sobre autonomia, tendências de mercado, crise financeira e respondemos quem é o verdadeiro responsável pela sua carreira.

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Crise nos empregos, crise nas empresas, crise na carreira, crise na política, crise, crise, crise. A crise de verdade parece ser no entendimento do ser humano sobre si mesmo.

É o paradoxo que emerge no choque entre a aversão ao risco de viver com a inadequação das fórmulas prontas.

Sempre que posso eu gosto de conversar com pessoas com perspectivas e experiências diferentes da minha. Além de aprender sobre o que não sei, essa interação me permite descobrir como me relaciono com o que sei, detectar ideias que já não fazem tanto sentido e perceber questões que preciso investigar melhor.

A convite do meu amigo Leandro Garcia eu participei de um hangout onde batemos um papo sobre carreiras. O papo foi ótimo pela diversidade de experiências. Tinha gente que trabalha em grandes empresas, gente com carreiras mais acadêmicas, gente doida como eu… enfim… gente!

Foi muito curioso observar que todos percebem uma crescente incerteza em suas áreas de atuação. Ou seja, é crise pra todo lado. Mais curioso ainda é ver que todos notam também que muita gente espera da empresa, do patrão, do programa de capacitação, uma resposta para seus anseios e desejos. Inacreditável!

Refletir sobre isso faz badalar um sino ensurdecedor em minha mente sobre a importância da autonomia. Na prática, ninguém sabe o que fazer exatamente. Não há caminho seguro. Por isso desenvolver autonomia te ajuda a lidar com a incerteza enquanto forja seu próprio caminho.

O problema é que, como diria minha querida esposa:

Autonomia não é para todo mundo. É só para quem quer.

Autonomia exige um grau de responsabilidade que faz a vida parecer dura contradizendo toda essa propaganda enganosa do “follow your passion”.

Mas se não por paixão? Fazer pelo quê?

Isso me lembra certa vez, após uma palestra onde eu falava sobre comunidade e a importância de se dedicar às pessoas. Foi bem antes de eu pensar em autonomia. Um amigo pegou o microfone e me perguntou se referindo aos eventos, viagens e iniciativas que eu me envolvia voluntariamente no meu pouco tempo livre, sem relação com meu trabalho:

Por que você faz o que faz?

Quando olho pra trás, vejo que a resposta continua a mesma: Porque eu não tenho escolha!

Não fazer, não desenvolver minha autonomia, não me conectar diretamente com as pessoas, me restringe ao caminho padrão que já é incerto.

Por muito tempo eu me dividi entre meu emprego e “as coisas de comunidade”. Levou anos para eu encontrar um lugar possível e transitório que conectasse o que as pessoas precisam que eu faça e o que eu gosto de fazer. Mas durante todo o trajeto eu tive que fazer o que precisava ser feito.

As vezes o que você precisa fazer é ir para um emprego chato pra sustentar sua família. As vezes é cuidar de um parente doente. As vezes é sobreviver às burocracias. Sempre haverá o que precisa ser feito!

De alguma forma aquele papo sobre carreira, sobre emprego, sobre futuro, se conecta na minha cabeça com a impermanência da vida e a necessidade de assumirmos responsabilidade apesar disso. Responsabilidade não apenas com nós mesmos, mas com nossas famílias, com os outros, com o entorno.

Não tem glamour, só tem esforço.

Esforço de eliminar a distração messiânica de “seguir a paixão para mudar o mundo” (e os outros) e começar mudando a nós mesmo.

Mas como começar? Na dúvida: lavar a louça é um bom começo.

No vídeo eu compartilho um pouco do que acho importante. Se você quiser que eu escreva sobre isso, deixe um comentário contando sua dúvida, desafio, problema ou dilema.

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  • Ricardo Portela da Silva

    Mudar é preciso, se adaptar constantemente! Não fazer sempre do mesmo! Mudar! Aprender! Compartilhar!. Estou sendo movido por este sentimento!

  • Eduardo Tenório

    Como diria Waldez Ludwig: “Você não tem que fazer o gosta, mas gostar do que faz”.

  • Pedro Pacheco

    Ótimo texto Henrique, demorou um bom tempo para eu perceber que o mundo da fantasia e o mundo real são diferentes, vários meios em nossa sociedade vendem a idéia de que temos que realizar nossos desejos acima de tudo e compramos esta idéia e o mundo real destoa totalmente deste conceito, trazendo frustração e crise para nossas vidas. Se fosse sintetizar o caminho a ser seguido seria com a palavra pragmatismo. Eis o ingrediente que deve temperar nossas vidas.Grande abraço.

    • Legal, Pedro! Eu sinto que é necessário tensionar a vida estabelecendo um norte que vc almeja e caminhando passo a passo de forma pragmática navegando pelos caminhos possíveis.