Meme: Codificando um Brasil Melhor

Em tempo de eleição, iniciamos nossas reflexões sobre os problemas políticos que afligem o Brasil. Buscando uma maneira prática de fazer a diferença e promover mudanças, Vinicius Manhães Teles publicou uma visão muito interessante sobre como a comunidade de desenvolvedores poderia aplicar seu conhecimento técnico na criação de ferramentas e facilidades para ampliar a troca de informações sobre políticos e governos.

Logo que li o post do Vinicius, fiquei com aquela sensação de Eureka. Pelos comentários dos leitores, muita gente sentiu o mesmo. Este post é uma proposta de meme para motivar o debate sobre o assunto. E o meu foco aqui é estratégia.

Estratégia é a palavra de ordem para levar qualquer iniciativa ao sucesso! É muito comum desenvolvedores impulsionados por idéias brilhantes, darem muita importância à tecnologia e assim perderem o foco no objetivo final. É assim que a maioria dos projetos jamais vêem a luz do dia. Seguindo essa linha de reflexão, anotei algumas questões que considerei importantes:

Censura

Políticos são pessoas públicas, assim, têm seus direitos de privacidade “reduzidos”. No entanto, calúnia, injúria e difamação são sempre invocados para repelir o direito à informação. Por isso é importante fundamentar o conteúdo, referenciando fontes como jornais, diários oficiais, lista de presença de audiências, etc.

Free em todos os aspectos

Tentativas de regulamentar a internet no Brasil estão cada vez mais populares. O Google já responde por alguns processos por causa do Orkut. Com um mínimo de sucesso, não seria surpresa se liminares fossem despachadas para tirar o serviço do ar. Por isso é importante disponibilizar na íntegra, todo o conteúdo e código para download, permitindo mirrors e outras iniciativas de replicação do material.

Hospedagem custa dinheiro

Começar pequeno não é o problema. Qualquer Dreamhost dá conta do recado. Mas dinheiro será necessário para suportar um relativo sucesso. Como obter recursos? Doações? Publicidade? Pela natureza do projeto, a forma de captação é bastante importante para não comprometer a credibilidade. Um banner de partido político seria inviável.

Foco no resultado

Iniciativas Opensource têm custos de criação, apesar de serem oferecidas gratuitamente ao consumidor! Custa tempo dos colaboradores, e como a quantidade de programadores envolvidos é limitada, não é possível fazer tudo, nem tão pouco fazer perfeito. É importantíssimo não esquecer que o objetivo é melhorar a comunicação e disseminar a informação sobre política, e não montar um case revolucionário de rails, django, ou qualquer outra tecnologia. Muito provavelmente um punhado de scripts minimalistas que gerassem as facilidades propostas pelo Vinicius atenderiam perfeitamente aos objetivos deste projeto.

Parcerias com interessados em política

Para manter o motor girando e fazer a comunidade crescer, a participação de pessoas focadas em política é fundamental. As faculdades de Ciências Sociais, História, Filosofia, estão repletas gente jovem e interessada nesse tema. Pessoas que usam internet diariamente, e poderiam ser facilmente instruídas sobre as facilidades e benefícios das novas formas de comunicação que surgem na web. Além disso, envolver organizações como o próprio TransparênciaBrasil encurtaria bastante o caminho para o objetivo de Codificar um Brasil Melhor.

Dove vs Greenpeace e Responsabilidade Social

Esta semana, o vídeo de publicidade da Dove e o vídeo de resposta do Greenpeace deram o que falar aqui na Myfreecomm. Discutimos sobre Responsabilidade Social e sobre a resposta e a postura da Dove, que então reuniu sua diretoria com o Greenpeace e conjuntamente criaram estratégias para minimizar os problemas levantados. Com esta atitude, estaria a Dove, engajada em responsabilidade social ou simplesmente tentando conter o impacto negativo à sua marca?

Meu amigo Rafael Lima, reuniu diversos argumentos interessantes e registrou em seu podcast sua opinião de que a Dove estaria mais preocupada com a sua marca. Mas eu não concordo exatamente com essa visão. Acho que as duas questões não são necessariamente excludentes, mas complementares.

Acho de grande valor a Unilever, dona da Dove, reconhecer o problema e se engajar em corrigí-lo. Isso deve ser considerado um marco, pois agora, o comprometimento desta corporação poderá ser medido com o esforço explícito de minimizar estes impactos na concepção de novos produtos e no aprimoramento dos produtos atuais. Tudo isso poderá ser observado analisando seus indicadores de sustentabilidade publicados anualmente.

Não estou dizendo que a Unilever é boa e inocente, mas também não digo que seja má ou culpada. É uma empresa que deve gerar lucros. Mas a que preço? É aí que o assunto esquenta, pois a responsabilidade social exige que haja empenho para além das obrigações legais, ou seja, além do senso comum. Mas então quem determina esse “escopo adicional”? As pessoas! Organizadas politicamente em comitês internos nas corporações, sindicatos, ONGs (como o Greenpeace), pesquisadores, etc. É a soma vetorial dessas forças políticas que determinará as prioridades dos esforços em responsabilidade social.

Penso que todo o tema de sustentabilidade é muito novo. E a humanidade ainda possui muitos vícios antigos. Muitos ainda são levados a reproduzir modelos de administração ultrapassados, e acreditam que economia de escala se aplica a tudo. Apesar de toda a instrução dos grandes executivos, falta educação à humanidade em geral (inclusive aos executivos). Observem nossas crianças, que plantam o feijãozinho no algodão aos 3 (três) anos de idade, partilham os brinquedos com os colegas de sala aos 5 (cinco), e passam os outros 13 (treze) anos seguintes sendo treinadas, na selva de pedra, para superar tudo e todos à caminho da universidade, que oferecerá à alguns, instrução de qualidade, lhes proporcionando prestígio e “estabilidade financeira” se conseguirem transformar tudo isso em lucros para seus empregadores.

O altruísmo puro é ideal sim, mas utópico. Na prática, é com um passo de cada vez que as coisas vão efetivamente mudando. Mudar a cultura de bilhões é trabalho para muitas gerações.