Autonomia & Tecnologia

O código que você escreve entrega valor para o seu cliente?

Ninguém contrata um programador para fazer um código! O cliente nos contrata para resolver problemas. Mas será que você sabe identificar os problemas?

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Quando se está aprendendo a programar, o maior desafio é simplesmente fazer as coisas funcionarem. Entender a linguagem, como escrever um programa, como concatenar os comandos para atingir o resultado esperado. É uma enorme quantidade de detalhes. Com isso é comum nos acostumarmos a focar no código, na tecnologia, e acabamos deixando o principal de lado.

No mercado, ninguém contrata um programador para fazer um código pura e simplesmente. O cliente, seja um cliente final, ou uma empresa, tem um problema que precisa ser resolvido. Toda a expectativa está no anseio pelo problema solucionado.

É aí que os conflitos se intensificam.

O trabalho de programação é cheio de indireções e camadas. Você passa a maior parte do tempo escrevendo um texto, que vai ser processado, compilado, executado para só então verificar se o resultado dessa execução de fato resolve a dor do cliente.

 

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Para o cliente, o valor está na sua dor resolvida. Todo o resto que antecede isso é custo.

Essa característica torna o trabalho de programação extremamente arriscado, afinal, se gasta muito tempo, muita energia no custo para talvez, quem sabe, se der certo, obter algum valor que justifique o investimento realizado.

Focar no valor implica mitigar esse risco. Exige que o programador não se limite ao seu universo técnico e tenha empatia pelo cliente, sendo capaz de compreender a dor que ele sente.

Um exemplo prático

O entendimento prático da importância de focar no valor que o seu trabalho trás para o cliente foi a grande lição que o meu amigo André Araújo tirou do Welcome to the Django.

Ele trabalha como consultor em tecnologia e estava em busca de uma nova relação com seus clientes. Então no evento presencial Autonomize-se que aconteceu no final do curso, ele compartilhou suas questões e saiu com a missão de prospectar ao menos 3 clientes potenciais. O importante era que ele fizesse isso com foco no problema e não foco na solução.

Andre Araujo e Henrique Bastos durante o evento autonomize-se

É muito comum nós programadores sentirmos um impulso inicial de já imaginar um sistema completo assim que ouvimos a descrição de um problema. Essa ansiedade é muito ruim e estimula o foco na solução, onde com pouca informação superficial, a gente já se amarra à uma solução idealizada.

Esse impulso acontece porque fomos treinados para justificar o salário ou a remuneração do nosso trabalho com o código que produzimos, com o sistema, com o site, com o app. Mas isso é um equívoco e é uma enorme fonte de estresse e desperdícios, pois com frequência impede que se foquemos no problema, na dor que o cliente sente com todo seu contexto e nuances.

Usando a estratégia de passos de bebê, André encontrou algumas pessoas com dores que ele poderia solucionar.

Ele investiu em compreender a dor do cliente para além da descrição, em compreender seu negócio, suas dificuldades, suas ambições e restrições.

Assim, em vez de simplesmente vender “desenvolvimento de sistemas customizados”, André pôde servir o cliente estrategicamente fornecendo a solução por etapas, resolvendo dores críticas rapidamente e permitindo que novas iniciativas fossem desenvolvidas para fortalecer o negócio. É ganha-ganha-ganha, onde ganha o André, ganha o cliente e ganha a sociedade que passa a contar com a empresa do cliente fornecendo seus serviços efetivamente.

Focar no valor é uma das muitas estratégias que abordamos no Welcome to the Django. O nome pode enganar sugerindo que se trata apenas de Python e Django, mas na verdade a gente vai muito além da programação.

Veja só o que o André tem a dizer sobre a sua experiência.

Para receber emails e acompanhar o lançamento da próxima turma que já está chegando acesse essa página e cadastre o seu email.

[]’s, HB!

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  • Pingback: Por que ir além da programação?()

  • Luiz Henrique

    Sensacional ler os comentários e ver a mudança que o WTTD vem trazer para o nosso midset. Aguardando a próxima turma tbem.

    • @disqus_BPMnUUDuVs:disqus é exatamente isso que me anima. Tem muita gente massa no mundo e quando essa galera se conecta é sensacional! Vai ser massa ter vc com a gente na próxima turma!

  • Luiz Henrique

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  • Pingback: A forma como você programa, faz toda a diferença / Henrique Bastos()

  • Leandro F

    Heheh.. Já trabalhei com André, ótima experiência. Sucesso a todos.

    • Que massa! Em “belzont” tb? Tem muita gente boa nessas bandas.

      • Leandro F

        Em Cuiabá Henrique.. aliás tá precisando dar uma passada por aqui novamente hein. Abraços

      • Leandro F

        Em Cuiabá Henrique.. aliás tá precisando dar uma passada por aqui novamente hein. Abraços

    • hehe falaê Leandro…como está Cuiabá? Abs

      • Leandro F

        E aí André. . Tudo certo por aqui. Trabalhando bastante com sua especialidade.. Oracle midleware. Abraço

    • hehe falaê Leandro…como está Cuiabá? Abs

      • Leandro F

        E aí André. . Tudo certo por aqui. Trabalhando bastante com sua especialidade.. Oracle midleware. Abraço

  • Pingback: Funcionalidades são bugs, até que se prove o contrário / Henrique Bastos()

  • Charles Gomes

    Não sei o que me motiva mais, os vídeos ou os comentários aguardando o WTTD.

    • Massa, @disqus_fMNqrYf6ZO:disqus! Vai ser um prazer ter vc na turma.

  • Pierry Ângelo

    Muito bom, espero poder participar da próxima turma!

    • Legal, @pierryngelo:disqus! Vai ser um grande prazer ter vc na próxima turma. 😉

    • Legal, @pierryngelo:disqus! Vai ser um grande prazer ter vc na próxima turma. 😉

  • Eduardo Rocha Monteiro

    Que bacana André . Sucesso para ti. E Henrique, quando é a próxima turma? Abraços

    • Legal que vc curtiu, @eduardorochamonteiro:disqus! Estou trabalhando nos preparativos para a próxima turma no início de agosto.

    • Valeu Eduardo. Muito obrigado…SUCESSO para todos NÓS!!!

  • Pedro Cesar

    Sempre trabalhei como autônomo e sempre pensei assim. É isso aí, inclusive recomendo um episódio do podcast CAFE BRASIL onde Luciano Pires fala sobre isso: http://www.portalcafebrasil.com.br/podcasts/460-meritocracia-um/

    • Show de bola, @disqus_R5ePmBZCRY:disqus! Valeu por compartilhar.

    • Show de bola, @disqus_R5ePmBZCRY:disqus! Valeu por compartilhar.

  • Eu acompanhei um dos casos de sucesso do @disqus_Qmw1odaryf:disqus e vi que realmente o foco no valor, na necessidade de entender a dor do cliente, é o ponto fundamental para se ter um bom resultado. E no final ver o sorriso no rosto do cliente.

    • Grande Régis…também pude acompanhar sua evolução e seus #RegisFeelings…foi muito bom e #forçapython !!!

  • rtancman

    Essa conversa com o Andre foi sensacional! Eu conheci o Andre no WTTD e pessoalmente no Autonomize-se. Olhando de “fora”, é perceptivel toda essa mudança de mindset nele. Toda a iiteração que o WTTD proporcional foi vital para o crescimento de todos. E realmente esse foco novo valor muda todo sentido da coisa e coloca todo desenvolvedor no papel que ele sempre deveria exercer. Sem entender o valor de cada “job”, ficamos em um mundo de “achismo” e o pior de tudo não é estar nele mas utilizar esse achismo como mecanismo de bloqueio para ser criativo. Ou seja, ficamos no dilema de não fazer isso ou aquilo porque assumimos algumas premissas e no meu ponto de vista é ae que mora o perigo. Trazendo para a nossa realidade, já queremos sair programando antes mesmo de entender tudo. A minha cabeça já imagina um monte de ideias sendo traduzidas em codigos, frameworks, infras e por ae vai.

    E nisso partimos para um mundo onde toda alteração gera algum sentimento ruim de mudança, porque criamos vinculo com o meio e não com a solução a ser dada! Entrando nessa vibe mais pesada, eu começo a entrar em um estado de “somos mais espertos” do que o cliente que vive aquela situação diariamente. E principalmente não entendemos isso:

    “Para o cliente, o valor está na sua dor resolvida. Todo o resto que antecede isso é custo”

    Ou seja vamos parar de digitar textos e dar soluções. Existe um mundo querendo melhorar o seu dia a dia e nosso papel é ajudar a viabilizar essas soluções! Vamos resgatar aquele brilho nos olhos toda vez que falamos de alguma solução realizada, a cada conhecimento novo adquirido e vamos ser felizes.

    • Isso aê @rtancman disse tudo…é essa a mudança de mindset que o WTTD trouxe para nós…menos conversa e mais ação…menos achismo e mais comprovação da realidade…menos “minha linguagem é melhor que a sua” e mais foco na solução do problema!!

  • Uma dúvida que fiquei ao ler o texto: A qualidade do que está sendo feito para resolver o problema do cliente está implícita neste caso? Vejo muitas vezes no contexto de fábrica software, a qualidade da resolução da dor do cliente causar outras dores silenciosas e que em algum momento vão aparecer. Vendo o relato, parece que tanto Desenvolvedor quanto o cliente encontraram o melhor dos mundos, mas como explicar isso para um cliente que tem dores que podem ser resolvidas utilizando tecnologia mas não entende?

    • Fala Anderson,

      Aí entra a importância dos baby steps. O seu cliente em que entender que existe um problema macro que pode ser quebrado em pequenos pedaços. E que a resolução desses pequenos pedaços vai resultar na resolução do problema macro. Se o cliente não entender isso pula fora e arranja outro cliente afinal não é o cliente que te escolhe, é você que escolhe o cliente.

      P.S Na minha opinião o conceito de fábrica de software é horrível e não agrega em nada no desenvolvimento de software que resolva problemas de maneira efetiva. Fuja disso!!!

      • Sim, “teoricamente” eu enxergo justamente dessa forma. Mas no dia-a-dia eu ainda sinto dificuldade em aplicar esses pontos. Valeu André, parabéns pela iniciativa!

    • @ToscoPerna:disqus boa pergunta. Sim, qualidade é inegociável. Pq sem qualidade o valor não é entregue.

      Se qualidade é inegociável e o tempo é restrito, resta mexermos no escopo. Esse é o assunto do próximo post. 🙂 Tem uma história massa pra compartilhar com vc sobre isso. #aguarde&confie

      No exemplo que você citou da fábrica de software, a solução já foi idealizada: software fabricado. Mas essa é a melhor solução para a dor do cliente? O cliente realmente precisa de um sistema inteiro? E quando a gente coloca a palavra “sistema” na conversa vem junto todos aqueles pressupostos de controle de permissões e toda a fábrica de cadastros. É uma tragédia.

      Entregar valor, resolver a dor do cliente é mais do que programar o que foi combinado. É junto com o cliente medir o resultado obtido ao aplicar a solução do problema.

  • O WTTD com certeza foi um marco na minha história, pois pude conhecer uma galera fera que está em busca dos mesmos objetivos que os meus. Com certeza a lição:

    “Para o cliente, o valor está na sua dor resolvida. Todo o resto que antecede isso é custo”

    é um “mind blowing” total e faz a gente mudar a ótica de como encarar o nosso trabalho, relacionamento com o cliente ou chefe e assim por diante.

    O lema “muito além da programação” não poderia ser melhor !!!

    Obrigado Henrique Bastos é turma por estarem comigo nesta jornada. Isso aqui é só o começo!!!

    { }’s

    • Valeu mesmo, André! Muito bom poder participar dessa sua jornada! Vamos que é só o começo! o/

    • Valeu mesmo, André! Muito bom poder participar dessa sua jornada! Vamos que é só o começo! o/