Dove vs Greenpeace e Responsabilidade Social

Esta semana, o vídeo de publicidade da Dove e o vídeo de resposta do Greenpeace deram o que falar aqui na Myfreecomm. Discutimos sobre Responsabilidade Social e sobre a resposta e a postura da Dove, que então reuniu sua diretoria com o Greenpeace e conjuntamente criaram estratégias para minimizar os problemas levantados. Com esta atitude, estaria a Dove, engajada em responsabilidade social ou simplesmente tentando conter o impacto negativo à sua marca?

Meu amigo Rafael Lima, reuniu diversos argumentos interessantes e registrou em seu podcast sua opinião de que a Dove estaria mais preocupada com a sua marca. Mas eu não concordo exatamente com essa visão. Acho que as duas questões não são necessariamente excludentes, mas complementares.

Acho de grande valor a Unilever, dona da Dove, reconhecer o problema e se engajar em corrigí-lo. Isso deve ser considerado um marco, pois agora, o comprometimento desta corporação poderá ser medido com o esforço explícito de minimizar estes impactos na concepção de novos produtos e no aprimoramento dos produtos atuais. Tudo isso poderá ser observado analisando seus indicadores de sustentabilidade publicados anualmente.

Não estou dizendo que a Unilever é boa e inocente, mas também não digo que seja má ou culpada. É uma empresa que deve gerar lucros. Mas a que preço? É aí que o assunto esquenta, pois a responsabilidade social exige que haja empenho para além das obrigações legais, ou seja, além do senso comum. Mas então quem determina esse “escopo adicional”? As pessoas! Organizadas politicamente em comitês internos nas corporações, sindicatos, ONGs (como o Greenpeace), pesquisadores, etc. É a soma vetorial dessas forças políticas que determinará as prioridades dos esforços em responsabilidade social.

Penso que todo o tema de sustentabilidade é muito novo. E a humanidade ainda possui muitos vícios antigos. Muitos ainda são levados a reproduzir modelos de administração ultrapassados, e acreditam que economia de escala se aplica a tudo. Apesar de toda a instrução dos grandes executivos, falta educação à humanidade em geral (inclusive aos executivos). Observem nossas crianças, que plantam o feijãozinho no algodão aos 3 (três) anos de idade, partilham os brinquedos com os colegas de sala aos 5 (cinco), e passam os outros 13 (treze) anos seguintes sendo treinadas, na selva de pedra, para superar tudo e todos à caminho da universidade, que oferecerá à alguns, instrução de qualidade, lhes proporcionando prestígio e “estabilidade financeira” se conseguirem transformar tudo isso em lucros para seus empregadores.

O altruísmo puro é ideal sim, mas utópico. Na prática, é com um passo de cada vez que as coisas vão efetivamente mudando. Mudar a cultura de bilhões é trabalho para muitas gerações.